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O que é isotretinoína?

A isotretinoína, também conhecida como ácido cis-retinoico, é um composto sintetizado a partir da vitamina A e destaca-se como uma substância amplamente estudada no tratamento tópico do envelhecimento da pele, tanto aquele determinado geneticamente quanto o decorrente da exposição solar.1 Seu efeito terapêutico ocorre ao se ligar a receptores nucleares específicos nas células da pele, promovendo a reparação do colágeno danificado.1 Além disso, é aplicada em diversas condições dermatológicas, incluindo o tratamento complementar da acne.

No contexto da acne, o ácido retinoico age revertendo o processo de queratinização dos poros das glândulas sebáceas, prevenindo sua oclusão e a formação de novas lesões. Embora não elimine completamente o excesso de oleosidade, alivia o problema e frequentemente proporciona resultados duradouros.1,2

A isotretinoína pode ser administrada sistemicamente, por via oral, ou topicamente, na forma de cremes, géis, loções e séruns. A dosagem oral padrão para o tratamento da acne varia de 0,5 a 2 mg/kg por dia, ao longo de quatro a seis meses.2,3 No entanto, devido à possibilidade de efeitos colaterais como ardência, prurido, vermelhidão, descamação e até manchas na pele, é imperativo que seu uso seja prescrito por um profissional médico.

É contraindicado o uso da isotretinoína em casos de infecções ativas na pele, como herpes simples ou infecções bacterianas, e deve ser evitada por portadores de rosácea. Dado que torna a pele mais sensível à luz solar, é recomendável o uso diário de protetor solar.1

Ácido retinoico, superfície ocular e glândulas de Meibomius

O ácido retinoico é naturalmente produzido no corpo humano por meio de dois processos oxidativos sequenciais, a partir do retinol consumido na alimentação. A vitamina A é transportada para o olho através da corrente sanguínea e lágrimas. Além da produção endógena, o ácido retinoico é sintetizado para uso terapêutico, como no caso da isotretinoína.1,2

A vitamina A desempenha um papel crucial na manutenção da superfície ocular, promovendo a cicatrização das células epiteliais, melhorando a camada de mucina do filme lacrimal e inibindo processos prejudiciais à saúde ocular.2 No entanto, o ácido retinoico pode impactar negativamente as glândulas meibomianas, reduzindo sua secreção e, consequentemente, provocando sintomas de olho seco em alguns usuários. Entre 30% e 50% dos pacientes em tratamento com isotretinoína para acne relatam sintomas de olho seco.5

Caso clínico: isotretinoína e olho seco

Para ilustrar as possíveis consequências na superfície ocular após o uso de isotretinoína, compartilho um caso clínico recente de um paciente de 25 anos, do sexo masculino, em tratamento para acne. Após algumas semanas de uso, ele desenvolveu sintomas oculares como ardor e sensação de corpo estranho, melhorados com o uso de lubrificantes e ciclosporina tópica. Exames revelaram atrofia das glândulas de Meibomius, provavelmente decorrente do uso da isotretinoína.

O paciente interrompeu o tratamento, iniciou o uso de colírios lubrificantes e luz pulsada para melhorar a função das glândulas de Meibomius, obtendo melhora nos sintomas.

Discussão

O olho seco iatrogênico, causado por ação inadvertida de profissionais de saúde ou medicamentos, é uma preocupação conhecida. A isotretinoína, apesar de seus benefícios potenciais, pode afetar negativamente as glândulas de Meibomius, levando ao olho seco. Portanto, uma avaliação oftalmológica detalhada, incluindo a condição das glândulas meibomianas, é crucial antes de iniciar o tratamento com isotretinoína.

Em casos de olho seco moderado a grave, é recomendável tratar a condição ocular antes de iniciar a isotretinoína, monitorando cuidadosamente seus efeitos. A colaboração entre oftalmologistas e dermatologistas é fundamental para entender e gerenciar os potenciais efeitos adversos do medicamento.

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